Como conservar o cão limpo?

Além da alimentação e o abrigo para o cachorro, é a higiene. Não há nada mais repugnante do que um animal que, cheio de bichinhos, mantém vizinhança estreita conosco. Lamentavelmente, nós aqui no Brasil não nos achamos em situação tão feliz quanto a Europa Central, onde quase não mais existem pulgas. Os países subtropicais, porém, são especialmente “beneficiados” com pulgas, piolhos, carrapatos, vermes e outras sanguessugas similares.

Como conservar o cão limpo?

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Mas preservar o cachorro limpo e livre de parasitos é um dos capítulos mais fáceis de seguir. Assim como nós tomamos diariamente nosso banho, também o cão precisa de uma “toilette” diária.

Os parasitas

Vamos começar com as pulgas. Existem numerosos pós e inseticidas para combater esta praga. Não basta, porém, matar as pulgas no corpo dos cães; é essencial manter a higiene em torno deles. A falta de cuidado, tanto no tratamento do pelo como na limpeza geral, é em muitos casos o único motivo do aumento dos parasitos. As pulgas deixam nas fendas dos leitos seus ovos, que se desenvolvem em poucas semanas. Talvez não seja supérfluo mencionar aqui que as pulgas podem estar infestadas de larvas da solitária canina, que passam depois diretamente para o cachorro; ou, em outras palavras, que os intestinos das pulgas hospedam aquela larva, a qual chega ao estômago do cão quando ele as engole. E como é difícil eliminar este hóspede indesejável mais tarde… Quem quer que já tenha tido o trabalho de exterminá-lo, sabe disso!

Os vermes, especificamente, são um caso à parte. Mas temos ainda outros sanguessugas. Se cuidar do pelo do seu cão diariamente, você descobrirá logo se algum berne lhe furou a pele. Essas larvas podem ser retiradas com relativa facilidade, mas deve-se tomar cuidado para que saiam inteiras, para evitar possíveis abcessos. Do mesmo modo se eliminam os carrapatos, cuja cabeça se prende firmemente na pele, onde pode causar uma inflamação, se permanecer depois que o corpo tiver sido retirado.

A toilette diária

Outro dia ouvi de uma senhora a opinião de que um cão deve ter o seu banho toda semana: “em caso contrário ele cheira muito mal”. Esta senhora vai perdoar-me se afirmo que o cachorro cheira mal porque não tem o devido tratamento diário. Primeiramente, o leito onde ele dorme deve ser sempre limpo. Sobras de comida, ossos, fezes, devem ser retirados cotidianamente e, se for necessário, mais do que uma vez. O pano, o saco ou o papel que cobre sua cama deve estar sempre totalmente limpo. O pelo do cão deve ser tratado uma vez por dia, primeiro no sentido contra-pelo e depois a favor do mesmo. Usa-se raspador, pente ou escova, conforme o tipo de pelagem.

Quantos banhos?

Você deve fazer esta limpeza todos os dias, caprichosamente, porque é uma das mais importantes da higiene canina: livrar o animal das pulgas, estimular ao mesmo tempo a circulação do sangue e poupar à dona de casa o trabalho de varrer continuamente os cabelos caídos. Este cuidado é especialmente necessário nos tempos da muda do pelo. Quanto aos banhos, bastarão uns três ou quatro por ano; muitos banhos prejudicam o pelo; os cabelos compridos ficam ondulados, os crespos amolecem e a pele enfraquece. Um cachorro devidamente tratado não cheira, se aos cuidados da higiene se juntam outros como comida adequada e movimentação regular.

Mas vamos falar ainda um pouco sobre os banhos. A pele de cachorros possui glândulas sebáceas que proporcionam ao corpo uma proteção gordurosa, defendendo-o contra o calor e o frio, e deixam a água escorrer mais rapidamente. Esta característica já esclarece por que não devemos dar banhos demais, pois com um bom ensaboamento eliminamos por um certo tempo aquela proteção natural.

Contaram-me um caso interessante:
Um vizinho recebeu um cocker-spaniel que se obstina com as quatro patas todas as vezes em que deve tomar um banho. “Não há um remédio para persuadi-lo a conformar-se com esta limpeza que extermina as pulgas, pelo menos por certo tempo?” — pergunta ele.

Assim como entre nos, homens, diz-se existirem elementos que têm verdadeira aversão à água, também há cachorros infensos a este preceito de higiene. Em todo caso, vamos tentar torná-lo o mais agradável possível.

Como dar um banho?

É bem provável que para o cão do nosso amigo, que mudou de dono com três anos, um banho esteja ligado à lembrança de um acontecimento infeliz na sua moradia anterior. Suponhamos que o seu cão possa ter o mesmo problema; então, exclua qualquer procedimento que possa ser motivo de novo susto. Primeiramente, coloque no fundo da tina uma pequena esteira de borracha, a fim de que ele não escorregue (a água deve subir apenas até a altura das pernas dele). Depois tape suas orelhas com algodão para que não entre água. Se perceber que o cachorro não gosta de água na cabeça, limpe-a com um pano úmido.

Se o cão for de porte grande, pode ser lavado com uma mangueira; evite, porém, lançar água fria com muita força contra seu corpo. Para conseguir bastante espuma use, para um cão de pele sensível, água um pouquinho mais quente do que morna, o que é menos desagradável para ele.
Impeça a retirada das pulgas — Quando você lhe dá um banho, em geral as pulgas fogem para a cabeça. Escolha, consequentemente, o caminho inverso. Junte um pouco de Creolina de Pearson à água e limpe-lhe primeiro a cabeça. Desça para o pescoço, lave-o direitinho e forme com a espuma uma espécie de anel em volta do pescoço. Assim, as pulgas não poderão escapar para a cabeça e serão atingidas no corpo quando você o ensaboar até as raízes dos cabeies.

Não se satisfaça em ver o cachorro sacudir-se depois do banho. Isto só poderá ser suficiente quando o dia estiver bem quente. Se não — em caso de céu encoberto — enxugue-o bem; com o tempo instável ou com vento, deixe-o dentro de casa até que esteja completamente seco.
Pente ou escova? — As opiniões sobre o uso de um pente ou de uma escova, quando se trata de limpar o pelo dos nossos cachorros, são bem diferentes. Uns querem provar que, com o pente, se pode puxar o subpelo e irritar a pele. Outros dizem que o uso cuidadoso do pente não faz mal, sendo, ao contrário, especialmente necessário nas raças de pelo comprido.

Deixando de lado os cachorros com pelo curto, como o dobermann ou o boxer, porque para eles o pente é supérfluo, tenho de confessar que um tratamento somente com a escova impossibilita em grande parte a limpeza completa do pelo. Se escovarmos a favor ou contra o pelo, os cabelos cobrirão a pele e impedirão uma ação perfeita das cerdas da escova; especialmente se o cachorro estiver molhado e sujo, os pelos se colarão uns aos outros e tornarão impossível uma limpeza completa apenas com a escova.